sexta-feira, 22 de junho de 2012

Padre é acusado de discriminação por negar primeira comunhão a adolescente autista


Publicado por Valder Damasceno em 22 de junho de 2012

Padre é acusado de discriminação por negar primeira comunhão a adolescente autista Em Bom Princípio, município do interior do Rio Grande do Sul, um padre está sendo acusado de discriminação por ter se negado a dar a primeira comunhão a Cassio, um adolescente autista de 14 anos. Segundo a família do garoto, ele está sendo vítima de preconceito por parte do sacerdote católico.
O autismo trata-se de um transtorno de desenvolvimento que afeta principalmente a interação social, mas, mesmo com a as limitações do menino, Letus Maldaner, pai de Cassio, já havia preparado uma festa para comemorar, após a missa, a conquista do filho. Mas, antes da celebração, o padre Pedro Rotter informou que o Cassio não poderia receber a hóstia no altar. “Simplesmente ele chegou no dia e disse que não iria fazer a primeira comunhão”, contou o senhor Letus.
A justificativa do padre é que, durante um ensaio, há alguns dias antes da cerimônia, o adolescente se recusara a abrir a boca. Isto teria motivado o padre a tomar a medida para preservar a família de constrangimentos, segundo ele. Padre Pedro ainda informou que avisou a família com antecedência, e contou ter instruído a mãe a ensinar o significado do ritual ao filho, já que ele não participou do curso preparatório com duração de dois anos.
O bispo da Diocese de Montenegro, Dom Paulo de Conto, disse que o adolescente receberá a comunhão em breve, porém, ele deverá passar por um preparo especial, “A eucaristia não foi negada, mas sim adiada”, explicou.
Fonte: Gospel+

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Política Pública para Autismo no Brasil

Autismo

O Brasil não tem política pública para a pessoa com autismo. E a responsabilidade de reverter essa situação está em minhas mãos

19.06.2012 | Texto por Mara Gabrilli






Joana Resek


Imagine-se desembarcando na China ou no Cazaquistão ou numa cidade inusitada, sem domínio de nenhuma língua que possa te auxiliar, sem intimidade ou saber, mesmo que superficial, da cultura.
Agora pense que você não consegue produzir nenhum gesto ou expressão facial como apoio para comunicação. Mas não estamos falando de uma tentativa de gesticulação sem sucesso como a minha, por conta de uma paralisia física, já que a intenção do movimento nunca me deixou. Estou falando da sensação de não encontrar no próprio repertório essas ações. Complete isso com a impossibilidade de compartilhar emoções e diferenciar pessoas. E, para aguçar mais ainda o sentimento de exclusão do planeta, constate o não uso da imaginação e da imitação.
Essa é uma descrição típica de manifestações do universo de uma pessoa com autismo. Para você contextualizar melhor o não simbolizar, a expressão “vai chover canivetes”, por exemplo, já fez crianças autistas se esconderem embaixo da mesa, assim como, em uma conversa informal, a jovem autista perguntou a idade da professora, que respondeu: “Chuta”. A jovem, então, deu-lhe um chute na canela. A pessoa com autismo não pensa de maneira abstrata, só concreta.
Outra característica é a ecolalia, que é a repetição de frases ouvidas recentemente ou há algum tempo. Também podemos citar a obstinação por um determinado assunto, como um rapaz que conheci certo dia na AMA (Associação de Amigos do Autista). Depois de ter sido apresentada como deputada, ele se aproximou e disse: “Sou obcecado por transporte, o que você vai fazer pra melhorar o transporte?”. Ainda conheci um jovem que aprendeu inglês por causa de sua fixação por mitologia grega. Levamos em consideração que todos esses casos só podem ocorrer com os verbais, pois os não verbais nem adquirem a fala, muitas vezes, por consequência do diagnóstico tardio.
InconformismoO autismo é um distúrbio no desenvolvimento infantil com impacto gigantesco na interação social, na comunicação, no aprendizado e na capacidade de adaptação.
A síndrome de Asperger e o autismo foram identificados na Áustria, em 1943-44. No entanto, apenas em 2009 novos estudos demonstraram que a cada 150 crianças nascidas uma tem autismo (Fombonne).
Fui designada relatora de um projeto de lei que institui uma política nacional para pessoas com transtorno do espectro autista. Só há 18 anos o Brasil teve sua primeira associação para o autismo, o que justifica o pouco conhecimento na área, além das faces ocultas que podem ter por trás da beleza de uma criança com autismo. Essa criança não é vista como uma pessoa com deficiência intelectual, pois não há uma linearidade na sua aquisição cognitiva. Isto é, uma estética toda harmoniosa não revela o padrão irregular do desenvolvimento, que muitas vezes pode demonstrar altas habilidades e grandes dificuldades.
Tenho recebido relatos e apelos de familiares de pessoas com autismo de todo o Brasil. O desespero dos pais é tal, que a única coisa que me pedem é celeridade na relatoria. Não querem mexer no texto, pois qualquer alteração que eu faça implicará nova tramitação. E para quem já esperou uma vida cheia de “nãos”, somada à fama de descompromisso do Congresso Nacional, essa pressa é justificável, assim como a indignação por não encontrarem um atendimento de saúde com profissionais treinados e experientes.
Esses pais são inconformados por se depararem com as portas da educação trancadas. Quando abertas, na maioria das vezes, expõem uma didática inócua e ineficiente para um autista. Pais tristes e frustrados por experimentarem a falta de diagnóstico precoce, tratamento multidisciplinar e adequado, transporte, trabalho, entretenimento, cultura, esporte... O Censo do IBGE nunca perguntou se tem autista na residência. Muitos morreram sem saber o que tinham e nunca foram considerados pessoas com deficiência.
Ou seja, definitivamente, o Brasil não tem política pública para a pessoa com autismo. E, neste momento, a responsabilidade de reverter essa situação está em minhas mãos.
Mara Gabrilli, 44 anos, é publicitária, psicóloga e deputada federal pelo PSDB. É tetraplégica e fundou a ONG Projeto Próximo Passo (PPP). Seu e-mail: maragabrilli@maragabrilli.com.br
Revista TPM

domingo, 17 de junho de 2012

Numa classe de 30 crianças nos Estados Unidos...


Numa classe de 30 criancas nos Estados Unidos hoje: 


3 tem dificuldade de aprendizado, 
3 tem asma, 
3 tem alergias a alguma comida, 
3 tem alergias respiratorias, 
3 tem problemas de atencao, 
1 tem autismo. 

Chalkboard ("lousa" em ingles) é o nome de uma campanha de um grupo de mães americanas para questionar o calendário de vacinação atual nos Estados Unidos. 
Entre no site da campanha. Lá tem um Video (e' curtinho, está em ingles) que mostra o assunto da campanha e o que as vacinas fazem com o sistema imunologico dos nossos filhos. Em Research há links para as pesquisas mais recentes.

Nunca foram feitos estudos para se verificar os riscos do acumulo das vacinas, mas os numeros não mentem!


Visite:
http://www.chalkboardcampaign.com

sábado, 16 de junho de 2012

Cães são importantes no tratamento de crianças autistas



Os animais ajudam estimular e desenvolver o convívio dessas crianças com o mundo.
Os benefícios da terapia com cães são inúmeros, pois o método é válido para todas as idades e circunstâncias, mas no caso de idosos os resultados são bastante satisfatórios e para as crianças, nem se fala. Elas se sentem mais empolgadas a realizar o tratamento, pois têm a noção de estar no comando, já que quem dá a ordem aos animais são elas. O sucesso do tratamento passa pela sua aplicabilidade e resposta dada pelo paciente. A cinoterapia favorece a socialização, abre espaço para a convivência em grupo, ajuda na inclusão de crianças com necessidades educativas especiais, permitindo trabalhar a emoção, a comunicação, a marcha, a coordenação motora fina e grossa, o equilíbrio dinâmico e estático, a fala, a afetividade, o companheirismo, a atenção, o interesse, a tolerância.Mas não são somente os pacientes que saem ganhando, não, para os cães - co-terapeutas, isso é um excelente negócio. Pois, eles precisam gastar energia e, com essa atividade, trabalham a parte de sua socialização e equilíbrio emocional.







 Estou tendo esta experiência agora, depois de várias tentativas de despertar a atenção de meu filho Glauco para um cão, hoje, aos 11 anos aconteceu, e temos notado muitas mudanças relevantes no seu comportamento!
Glauco e Marley







Médica e mãe de dois filhos com autismo lança livro sobre o transtorno

“Autismo e Cérebro Social – Compreensão e Ação” é o título da obra que a médica cearense Fátima Dourado lança nesta sexta-feira (15), às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi. Pediatra e psiquiatra, a autora, com dois filhos autistas, fundou a Casa da Esperança, entidade de referência internacional no tratamento e estudo do autismo. O livro apresenta sua trajetória de superação e ajuda leigos e profissionais e entenderem melhor esse transtorno de desenvolvimento e relacionamento.
Fátima faz um relato emocionado dos desafios e conquistas com a descoberta do diagnóstico de autismo nos filhos Giordano Bruno e Pablo, hoje adultos.  Em detalhes, ela cita os personagens e os percalços desta caminhada até hoje, quando, à frente da Casa da Esperança pode oferecer a pais e mães de filhos autistas as respostas que não teve no passado.

O livro também apresenta dados científicos que vão interessar a especialistas e profissionais de saúde. Como médica, Fátima aprofunda-se nos critérios de diagnóstico, métodos e técnicas de intervenção, uso de medicamentos, orientação familiar, casos clínicos e situações de vida. Mescla ciência e amor no tratamento do Autismo, porque não poderia ser diferente.
Até chegar a essa fase da vida em que pode compartilhar experiência e conhecimentos sobre autismo, Fátima  enfrentou dificuldades e uma forma de enfrentá-los foi unindo-se a oito mães com filhos autistas. Juntas, fundaram há 19 anos Casa da Esperança. Atualmente a entidade atende 400 pessoas com autismo em regime intensivo, de quatro ou oito horas por dia e realiza mais de mil procedimentos ambulatoriais diariamente, na condição de unidade de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).
As atividades na Casa são desenvolvidas em conjunto com o psicólogo Alexandre Costa e Silva, atual presidente da entidade, e dos seus dois filhos, Alexandre e Gustavo, especializados em autismo.
“Autismo e Cérebro Social – Compreensão e Ação” é o segundo livro de Fátima Dourado. Sua obra de estreia foi “Amigos da Diferença: uma abordagem relacional da problemática do autismo”, que trantou de um projeto desenvolvido pela Casa da Esperança, objetivando chamar a atenção da sociedade para a importância de tratar os diferentes com respeito e dignidade.
De acordo com a autora, o autismo  é “o protótipo de uma série de transtornos, com diferentes formas de apresentação e múltiplas causas, que apresentam entre si  algumas características comuns”. Entre estas, anormalidades no desenvolvimento da inteligência social que se apresentam na forma de dificuldades de comunicação e linguagem; presença de estereotipias de comportamento, atividades e interesses, dentre outros sinais.

Saiba mais sobre a autora
Fátima Dourado é formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará e psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira. Como médica concursada da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social e  Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, exerce há 19 anos, Psiquiatria da Infância e da Adolescência, com ênfase nos transtornos do espectro do Autismo. É fundadora e diretora clínica da Casa da Esperança e presidente da Associação Brasileira de Ação por Direitos da Pessoa com Autismo (Abraça). É também conferencista com participações em simpósios e congressos sobre Autismo no Brasil e no Exterior. (Com informações da assessoria de imprensa da Casa da Esperança – Contato: Jornalista Ângela Marinho – (fone: 85  8842 3628)
Mais informações sobre o lançamento: Livraria Saraiva do Shoping Iguatemi – (fone: 85 3241 1986 com Maíra)
Sugestão de pauta: Agência da Boa Notícia

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Depoimento: Tirei meu filho do isolamento do autismo


A professora Anita Brito ouviu os médicos afirmarem que seu filho jamais voltaria a falar. Diagnosticado como autista, o menino ficou mais de um ano sem se expressar. Com uma rotina caseira de estímulos diários, Anita conseguiu trazer o filho de volta. Hoje, Nicolas tem 13 anos, lê, escreve, conversa e frequenta um colégio regular. E segue autista
Por Depoimento a Letícia González
"Uma das psicólogas
me disse que ele era retardado. Outra, mimado"
Editora Globo
 
NUNCA DESISTI DE CONVERSAR COM NICOLAS E TENTAR ENTRAR NO SEU MUNDO. HOJE, AOS 13, VEJO QUE ELE SEGUE EVOLUINDO
 
“Nicolas nasceu sem emitir nenhum som. O parto foi difícil, depois de um longo dia de contrações que terminou com uma cesárea. Assim que puxaram o bebê, ele não chorou. Tiveram de levá-lo para longe de mim, dar-lhe oxigênio para, só então, trazê-lo de volta. Quando o peguei no colo, ele chorava aos gritos. Foi então que comecei a falar baixinho e dizer a ele que eu era sua mãe, até que se acalmou. Foi a nossa primeira conversa. Nicolas se destacava dos outros recém-nascidos da maternidade pelo tamanho — havia nascido com 4,140 kg e 56 cm — e era um bebê lindo. Já na nossa casa em Jandira, no interior de São Paulo, arrancava elogios das visitas, que diziam: ‘Como é quietinho’.


Depois dos primeiros meses, essa característica começou a me preocupar. Nicolas tinha de ser alimentado de três em três horas, mas nunca chorava à noite para mamar. Eu é que tinha de acordá-lo. Também nunca tinha cólicas e ficava em silêncio no berço por horas, olhando para o teto. Quando tinha febre ou dor, respirava com dificuldade e essa era a única maneira de saber que estava doente. Um dia, quando ele tinha 4 meses, eu o coloquei no berço, liguei uma música e comecei a arrumar o quarto. Como tinha o hábito de conversar com ele, fui falando e, sem pensar, me peguei dizendo ‘Você não dá trabalho mesmo, hein, filho? Será que há algo errado?’. Foi a primeira vez que cogitei a hipótese de ele ter um problema.

Aos 6 meses, Nicolas olhou para mim e disse sua primeira palavra: ‘Tata’. Foi estranho o jeito que pronunciou as sílabas. Parecia correto demais. Achei que novas palavras viriam em seguida, como ‘mamãe’, ‘papai’, mas ele só voltou a falar no ano seguinte. Aos 9 meses, aprendeu a andar. Esse sinal de desenvolvimento, no entanto, contrastava com a sua falta de rea­ção a estímulos: não respondia a barulhos — a menos que fossem fortes e inesperados, o que o fazia chorar muito —, não dava atenção a pessoas que falavam com ele — para agonia das avós — e nem se mexia quando ganhava um brinquedo novo. Isso me levou a buscar na internet informações sobre autismo. Ele era pequeno demais para mostrar os sintomas clássicos, mas mesmo assim mencionei o assunto com meu marido, Alexsander, e depois com a pediatra. Alex me chamou de doida e a médica, de ‘mãe de primeira viagem’. Para reforçar, disse: ‘Seu filho é o bebê mais lindo que já vi, fique tranquila’. Aquilo não me acalmou, mas me fez pensar que talvez eu estivesse exagerando. Naquela noite, além do autismo, pesquisei também sobre uma síndrome que faz as mães fingirem que os filhos estão doentes para chamar a atenção para si. Mas eu não me via nas descrições. O que via, a cada noite de insônia passada em frente ao computador, eram semelhanças entre as atitudes de Nicolas e o autismo.

Crianças autistas podem ter pouca ou nenhuma interação com o mundo à sua volta, costumam ter fixação por assuntos específicos, têm raciocínio lógico (mas, muita vezes, inflexível) e parecem escutar apenas quando algo lhes interessa. Não há uma causa definida para a doença, mas a influência genética atualmente já é comprovada por estudos e aceita pelos médicos. Com 1 ano, Nicolas seguia regras sem contestá-las e aprendia com facilidade a diferença entre o certo e o errado. Com 1 ano e meio, expliquei a ele uma única vez como se usava o banheiro e, a partir desse dia, ele nunca mais usou fraldas. Outra coisa que ficou clara na época foi a sua paixão por objetos que giram. Ele ia sozinho até a lavanderia para assistir ao ciclo da máquina de lavar e, como também adorava o ventilador, costumava sentar-se atrás dele — eu o havia proibido de ficar de frente para o vento e ele nunca desobedecia. Quanto à fala, começou repetindo frases de desenhos animados. Ele não criava frases próprias e nem respondia às conversas. Tanto que minha mãe chegou a suspeitar que fosse surdo. Um dia, quando ela foi nos visitar, fiz o teste e falei baixinho: ‘Nicolas, olha para cá agora senão vou ficar chateada’. Ele, que estava brincando bem afastado de nós, largou o brinquedo e olhou.
 
Quando Nicolas completou 2 anos e meio, decidi levá-lo a uma psicóloga. Em quatro sessões, ela o diagnosticou como retardado mental e disse que jamais frequentaria a escola. Discordei, pois, em casa, ele agia com esperteza, só que do seu jeito. Ela tentou me consolar: ‘Sei que é difícil ouvir isso, você vai entrar em negação’. Depois disso, voltei a abordar o assunto com a pediatra, mas ela insistia que ele era perfeitamente normal. Troquei de médico e ouvi a mesma coisa. Quando meu filho já tinha 3 anos, tentei uma segunda psicóloga. Dessa vez foi pior. Nicolas, dizia, era mimado. ‘Quando vocês pararem de superprotegê-lo, ele vai se desenvolver’. Tentamos colocar Nicolas na escolinha, mas ele chorava do momento em que o deixávamos à hora da saída.

O diagnóstico definitivo só viria quase um ano depois, infelizmente­, por causa de uma doença. Aos 3 anos e 8 meses­, Nicolas desenvolveu uma inflamação­ nos vasos sanguíneos­ chamada Púrpura­ de Henoch-Schönlein­, que pode levar à morte­. Numa noite­, descobrimos um hematoma que cobria quase toda sua nádega e piorava­ de hora em hora. Eu perguntava­ sobre tombos­, batidas, mas não conseguia arrancar­ dele nem um ‘sim’ ou ‘não’, suas respostas habituais. No consultório­, assim que o médico o apalpou, Nicolas começou a gritar: ‘Ai meu Deus, que dor!’, com a mãozinha apoiada sobre a barriga. Houve­ correria­ na clínica quando o pediatra, que estava calmo­ até aquele­ instante, ordenou a uma das enfermeiras­: ‘Corre­ e prepara 20 ml de ...’. Nessa hora, não escutei mais nada. Segurei a mão de Nicolas e tentei­ consolá-lo, mas, na verdade­, pensava também em mim. Tive uma infância difícil numa casa com seis irmãos, e só consegui sair da pobreza­ depois de trabalhar e estudar­ muito­. Naquela época, eu e meu marido cuidávamos de nossa­ escola­ de inglês juntos e havíamos chegado­ a um patamar confortável­ de vida­. Aquela era a fase mais feliz­ da minha vida e a crise me fez ter medo­ de perder tudo.

Por causa da dor, Nicolas foi sedado. Ele despertou algumas horas depois, mas já estava irreconhecível. Seu rosto não tinha expressão, seus olhos não se cruzavam com os meus e ele estava mudo. Quando eu o pegava no colo, ele não se encaixava em mim, era como um peso morto. Nicolas sempre foi diferente dos demais, mas tínhamos uma conexão. Naquele dia, no entanto, ele parecia vazio. Pensar que não havia ninguém dentro daquele corpinho me fez ter vontade de morrer. Voltei para casa em luto, com a sensação de ter perdido um filho. Nessa época, passei a dormir cerca de quatro horas por noite e, quando conseguia adormecer, tinha pesadelos. Em um deles, Nicolas ia correndo para bem longe de mim e eu tentava alcançá-lo. Em outro, ele parava ao meu lado num jardim e gritava ‘Mamãe!’, mas eu não o ouvia.

Iniciamos uma nova maratona médica e, por causa do tempo­ que as visitas tomavam, decidimos que meu marido pararia de trabalhar. Alexsander, então, já dividia minha suspeita — a essa altura uma certeza — de que nosso pequeno fosse autista, mas por tristeza e cansaço, paramos de falar antes de os médicos darem um parecer. Tudo mudou no dia em que entramos no consultório de uma psiquiatra e, com poucos minutos de observação, ela disse: ‘Vocês já ouviram falar em autismo?’. ‘Sim’, respondemos em coro. ‘Me falem sobre o Nicolas’. E isso foi a melhor coisa que nos aconteceu.
Fomos encaminhados a um hospital em São Paulo pioneiro na área e ali tivemos o diagnóstico definitivo. É estranho falar em alívio quando alguém confirma que seu filho tem um problema sério, mas foi o que senti. Finalmente, três anos depois das minhas primeiras suspeitas, eu poderia tratá-lo com propriedade. Saímos do hospital confiantes de que, agora, a medicina nos ajudaria.
Editora Globo
NICOLAS, HOJE, AOS 13 ANOS

Mas a experiência com os psiquiatras foi frustrante, pois eles não se interessavam pela rotina do Nicolas. Apenas se limitavam a fazer perguntas sobre suas crises de ansiedade e receitar remédios. Nicolas se balançava, sacudia as mãos e às vezes mordia a parte interna da boca até sangrar, por isso a indicação de medicá-lo. Essa época foi difícil, porque os especialistas nos diziam que a criança autista vive em um mundo à parte e a família deve apenas deixá-lo mais confortável.
Eles não viam relação entre a crise de Púrpura e o mutismo dele, apenas diziam que era normal um autista não se comunicar. Eu ouvia isso e não aceitava a ideia de nunca mais ouvir a voz de Nicolas. Meu marido também sofria com a situação.

Em uma das nossas primeiras visitas ao hospital, Alexsander ficou tão assustado que apertou a minha mão até machucar. Enquanto esperávamos para ser atendidos, conversei com uma das mães na sala. Ela era bonita, bem vestida e acompanhava seu filho de 16 anos, portador de Síndrome de Asperger, uma das variantes do autismo. O garoto era espontâneo e logo começou a falar sobre carros, sua paixão. Vendo mãe e filho interagindo com tanto carinho, desejei isso para o futuro de Nicolas, que vivia em total silêncio. Foi então que veio o choque. Em um momento da conversa, ela me contou que o marido não havia suportado a pressão da doença e havia se suicidado alguns anos antes. Meu coração quase parou quando olhei para meu próprio marido, nervoso naquela sala, sem saber se Nicolas voltaria a se comunicar.

Nosso plano foi insistir nos estímulos, de todos os tipos. Eu tirava duas horas do dia para tentar entrar nas brincadeiras de Nicolas, falar sobre coisas que ele conhecia e gostava, chamar o seu olhar para o meu. Foram meses difíceis, porque eu não tinha nenhuma resposta da parte dele. Ao mesmo tempo, os profissionais que consultávamos nos davam perspectivas deprimentes. Enquanto uns diziam que Nicolas não era autista, outros diziam que ele era e não havia nada a fazer — a não ser medicar sua ansiedade. Eu lia estudos conduzidos nos Estados Unidos e entendia que o autismo tem muitas questões sem respostas, mas que ‘nada’ não era uma boa opção de tratamento.

Quando ele tinha 4 anos e meio, tive a ideia de levá-lo a um carrossel, coisa que ele adorava quando era menor. Comprei a ficha, coloquei Nicolas em um dos cavalinhos e fui para o lado de fora vê-lo girar. Depois da primeira volta, surpresa: Nicolas me olhou de relance, meio de lado, e levantou o cantinho dos lábios num quase sorriso. Meu coração pulou de alegria. Finalmente uma reação! Meu filho me olhava depois de um ano de isolamento. E continuou me olhando, meio de lado, meio sorrindo, a cada volta que dava. Quando o brinquedo parou, corri para comprar outra ficha e pedi para subir com ele no carrossel. Fiquei ao lado dele falando no seu ouvido, dizia que sentia sua falta, que gostaria de ver um filme com ele quando chegássemos em casa. Voltamos ao carrossel no dia seguinte e também no fim de semana, dessa vez com o meu marido, que na época estava de volta ao trabalho. Quando, na primeira volta, Nicolas nos olhou de cima do seu cavalinho, Alex disse: ‘Ele vai voltar, amor’. Choramos juntos.

Em menos de um ano, Nicolas­ estava falando novamente. Acho que, por algum bloqueio, não consigo lembrar o dia exato em que ele disse sua primeira palavra. Às vezes recebíamos apenas um ‘sim’ ou ‘não’ com a cabeça, mas era um começo. Com o tempo, ele voltou a repetir frases de filmes e se comunicava por meio delas. Também usava algumas expressões que só nós entendíamos, então­ fazíamos a ponte entre ele e o resto da família e os amigos. Com algumas adaptações, o convívio foi se tornando possível de novo. Quando ele tinha quase 6 anos, conseguimos uma bolsa para uma escola especializada em autismo em São Paulo­, e os avanços­ foram incríveis. Já no primeiro dia de escola, Nicolas aprendeu a se vestir sozinho. Durante seis meses, frequentou duas escolas: a especial e uma regular, onde fez adaptação para uma sala­ do 1o ano. Meu marido­ dirigia com ele até a capital de manhã, às vezes enfrentando duas horas de trânsito, aguardava a aula terminar e voltava com ele para Jandira, onde ele estudava à tarde.
Editora Globo
 
NICOLAS ADORA VIDEOGAME E SABE DE COR O ANO DE TODOS OS LANÇAMENTOS DE MARIO BROS. E SONIC
Nesses primeiros anos de escolarização, detalhes banais fizeram a diferença. O sinal da escola, por exemplo, era insuportável para Nicolas. O tumulto da cantina e a dificuldade de algumas crianças em lidar com um colega diferente também. Então, escolhemos uma instituição que não tocasse o sinal a cada período, combinamos com a dona da cantina que ele pegasse seu lanche por uma porta lateral e eu mesma fiz uma marcação cerrada em cima do bullying, conversando com professoras e alunos. Dessa forma, ele completou o 1o ano e conseguiu seguir o currículo comum.
Por ter o raciocínio linear e muitas vezes ser inflexível, Nicolas­ se recusa a fazer dever de casa, por exemplo. Ele diz que ‘a escola é para estudar, e a casa para­ descansar’. Então, as professoras passam os deveres na escola mesmo, e ele os faz antes de voltar para casa. Essa maneira de pensar já rendeu situações engraçadas, como­ a vez em que ele deixou vários exercícios de matemática­ em branco porque o livro trazia a pergunta ‘Você aceita um desafio?’. Ele respondeu ‘Não’ e deu a tarefa por acabada.

Com 8 anos de idade, as frases­ repetidas de filmes deram lugar aos nossos primeiros diálogos, com perguntas, respostas e réplicas­. Aos 10 anos, teve a sua fase dos porquês. E hoje, aos 13 e no 8o ano, estamos treinando em casa como expressar emoções e ser simpático com os outros, para­ evitar­ os ‘sincericídios’ naturais dele, como dizer que odiou a comida. Quem conversa com ele percebe a diferença em relação às outras crianças. Ele fala pausado, raramente começa uma conversa por conta própria e tem um sentido muito rígido do que é certo e errado. Se alguém fala palavrão e ele quer comentar o caso, repete­ a história, mas diz ‘palavrão’ no lugar de cada expressão grosseira. Ele balança as mãos, anda pela casa sem direção e exige que as pessoas cumpram todas as suas­ promessas, mesmo as mais banais. Mas conseguimos muitos progressos. Tanto que hoje ele dá palestras em escolas e em grupos de estudos explicando como vê o mundo.

No ano que vem, Nicolas quer paquerar. Depois, quem sabe, arranjar uma namorada. Há dois anos, ele aprendeu a dividir suas coisas com o novo irmão, Guilherme, um sobrinho de 15 anos, que adotamos depois que minha irmã­ morreu. Ainda é cedo para dizer se ele vai conseguir terminar­ o ensino médio e fazer vestibular, mas Nicolas adora videogame — especialmente os jogos do Mario Bros. Ele até cita as datas de lançamento com precisão enciclopédica — e diz que gostaria de seguir uma carreira na área de games. Nesses mais de dez anos de luta, percebi que o Brasil avançou­ ­no diagnóstico e no tratamento do autismo. No campo pessoal­, vi meu esforço recompensado. A história dele me inspira tanto que decidi escrever um livro, Meu filho­ ERA autista, publicado de forma­ independente no início deste ano.

TEXTO RETIRADO DA REVISTA MARIE CLAIR 
09/06/2012 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Osteopatia Tratando Autista e dando Resultado

Como pode a Terapia Sacro-Craniana ajudar no tratamento do autismo?

A Terapia Sacro-Craniana (TSC) tem demonstrado, através da diminuição do esforço e da tensão estruturais do seu Sistema Nervoso Central, poder ajudar os autistas, quer a descobrirem o mundo em torno deles, quer a reconhecerem o seu papel dentro dele.

Até agora não é conhecida nenhuma causa para o Espectro Autista (EA). Estima-se que a desordem do EA afecte uma criança em cada 150 nascimentos e que a sua taxa de diagnóstico esteja a aumentar de 10 a 17 por cento todos os anos.

Actualmente o EA é considerado uma inabilidade de desenvolvimento humano intelectual e social com origem em desordens biológicas e/ou neurológicas que afectam o desenvolvimento do cérebro.

O método recente de tratamento do autismo criado pelo Dr. John Upledger, responsável pela implementação e divulgação da Terapia Sacro-Craniana pelo mundo, é baseado na sua experiência a trabalhar com crianças autistas e nos resultados apresentados depois do tratamento. Pesquisas efectuadas na Universidade Johns Hopkins, nos EUA, comprovaram a existência de " níveis aumentados de cytokines pro-inflamatórios, activação neuroglial e alterações de indicadores inflamatórios” no líquido céfalo-raquidiano (LCR) dos pacientes autistas. De uma forma simplista, o EA é causado parcialmente por uma perda de flexibilidade, e pela provável inflamação, das camadas de membranas em redor do cérebro.

Esta situação pode criar forças restritivas nos tecidos cerebrais que por sua vez provocam uma tensão adversa nos núcleos hipotálamicos, do Sistema de Reticular e do Sistema Nervoso Autónomo; hiper-excitação e hipersensibilidade dos neurónios, das células gliais e das estruturas neurológicas; mudança anormal da pressão dentro dos tecidos do cérebro; influência adversa no Sistema Límbico (emocional); resposta hiperactiva do Sistema Imunológico (do Sistema Nervoso Central); congestionamento e toxicidade dos tecidos do cérebro; e o comprometimento do Sistema Endócrino.

O que é entendido e observado como um comportamento típico de desordem de EA nos relacionamentos sociais, na comunicação e no pensamento imaginativo, podem ser os efeitos do caos interno - criados pelo aperto e pela irritação anormais das membranas no cérebro. Combinar esta tensão enorme, criada por um recipiente cerebral anormalmente inflexível, com um processo inflamatório, pode confinar o cérebro a uma complicada agitação biomecânica e bioquímica.

O ponto de vista da TSC no tratamento do EA

O objectivo da Terapia Sacro-Craniana visa aumentar o movimento equilibrado:

· das camadas de membranas que envolvem o cérebro
· dos fluidos (sangue e LCR) na sua circulação de e para o crânio, e por entre os tecidos do cérebro e da espinal medula;
· das áreas do corpo que não mostram uma resposta normal ao Ritmo Sacro-Craniano, que podem dificultar o funcionamento do Sistema Sacro-Craniano e do cérebro.

Num indivíduo que sofre de desordem do EA, a terapia inicia-se frequentemente no crânio para encontrar uma área que tenha uma maior resposta ao movimento ao Ritmo Sacro-Craniano. Para poder criar um maior movimento nesta área aplicam-se técnicas manuais suaves e indolores de libertação das restrições e de bombeamento dos fluidos.

O aumento do movimento é usado como uma ferramenta biomecânica dinâmica - uma mão é usada para continuar a aumentar o movimento e dirigir o fluxo fluido, enquanto a outra mão é usada para incentivar o movimento nas áreas “presas”. Pouco a pouco, as pequenas alterações criam mudanças maiores que activam a mobilidade do recipiente cerebral (o Sistema Sacro-Craniano).

O aumento do movimento das membranas em torno do cérebro ajudam a levar as toxinas e a inflamação para fora dos tecidos do cérebro. Logo que este processo tenha inicio, melhora naturalmente o processamento bioquímico, que por sua vez aumenta a função dos neurónios e ligações neurológicas.

O aumento da mobilidade das membranas em torno dos tecidos cerebrais e dos fluidos cranianos ajudam a diminuir as tensões anormais tensões a que o cérebro esteve sujeito. Isto dá às células do cérebro uma maior facilidade em processar e reagir a todo o tipo de informação. Tal como Donna Williams diz no seu livro, “Autism: An Inside-Out Approach “- " Quando eu era uma criança, os meus sentidos não trabalhavam bem e a minha resposta à luz, ao som e ao toque não eram sem sentido, mas sim demasiado agudos. Eu não só não compreendia o mundo, como igualmente não conseguia estar nele." A TSC pode delicadamente ajudar as pessoas que sofrem de desordem de EA a encontrarem novos níveis de tolerância, de compreensão e de resposta dentro deles próprios e para com o mundo que os rodeia.

Muito embora este artigo se centre no cérebro, a Terapia Sacro-Craniana é dirigida ao corpo inteiro, uma vez que restrições dos tecidos em qualquer lugar podem afectar as membranas que envolvem o Sistema Nervoso Central. A TSC ajuda a aumentar o bem-estar do corpo e dos seus mecanismos de compensação, ao facilitar a função neurológica. Isto, por sua vez, pode melhorar a estrutura e a função do corpo no seu conjunto, e desse modo ajudar a corrigir a disfunção de todos os sistemas envolvidos na desordem do EA., sejam eles o sistema digestivo, cardíaco, endócrino, imunitário, etc., etc.

A Terapia Sacro-Craniana combina igualmente bem e melhora o desempenho de outras terapias que as pessoas afectadas pelo autismo possam estar a utilizar, como a Manipulação Visceral, a Terapia de Integração Sensorial, a Terapia de Desenvolvimento Neuronal, a Terapia da Fala, a Terapia Ocupacional, a Fisioterapia, os programas da dieta, os programas de desintoxicação, a Homeopatia e outros. Ao trabalhar com uma criança, é muito útil manter um programa consistente de TSC, uma vez que há uma tendência para que as membranas de uma criança com EA “apertem” devido ao crescimento natural da mesma.

A TSC é um caminho para a correcção do Sistema Nervoso

A Terapia Sacro-Craniana é suave e abraça cada autista como um caso único. Através deste conceito e de técnicas suaves e delicadas, podem ser iniciadas mudanças. A TSC pode ajudar o cérebro a diminuir os níveis anormais de inflamação, de irritabilidade sensorial, de tensão, de toxicidade e de caos. Isto pode conduzir a uma maior facilitação e eficiência no funcionamento do Sistema Nervoso, que se manifesta frequentemente numa redução dos sintomas de EA.

Febre durante a gravidez pode dobrar riscos de autismo no bebê, diz estudo


Medicamentos para tratar a condição na gestação podem prevenir o atraso de desenvolvimento da criança

Por Minha Vida - publicado em 30/05/2012
 

Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que mães quem têm febre durante a gravidez podem ter duas vezes mais chances de ter um filho com autismo ou atraso de desenvolvimento. Os pesquisadores alertam que mulheres grávidas que apresentarem febre precisam procurar um médico e tomar a medicação adequada. 
Os resultados são baseados em dados de um grande estudo conhecido como Childhood Autism Risk from Genetics and the Environment (CHARGE), que inclui mais de mil crianças entre dois e cinco anos e suas respectivas mães. O estudo mostrou que a febre de qualquer causa durante a gravidez foi mais provável de ser relatada por mães de crianças com autismo (chance 2,12 vezes maior) ou atraso de desenvolvimento (2,5 vezes maior probabilidade), em comparação com mães de crianças que estavam se desenvolvendo normalmente. 
Os pesquisadores sugerem que o uso de medicação para tratar a febre durante a gestação pode ajudar a prevenir o aparecimento de autismo na criança. Segundo eles, quando as pessoas são infectadas por bactérias ou vírus, o corpo geralmente reage com a febre, que é uma resposta de cura que envolve a libertação de moléculas chamadas citocinas pró-inflamatórias, que vão para a corrente sanguínea. Algumas citocinas são capazes de atravessar a placenta e, portanto, atingir o sistema nervoso central do feto, potencialmente alterando o desenvolvimento do cérebro. Eles também lembram que a febre crônica é mais comum em mães com anormalidades metabólicas, como diabetes e obesidade. No entanto, mais investigação é necessária para identificar os caminhos por meio dos quais a inflamação pode alterar o desenvolvimento cerebral. 

Combata inimigos que podem aumentar chances de autismo

Outros estudos também apontam a relação entre problemas na gestação e autismo. Outro estudo desenvolvido na Universidade da Califórnia (EUA), por exemplo, apontou que mulheres que apresentam obesidade, diabetes ou pressão alta durante a gravidez podem ser mais propensas a ter filhos com autismo. A pesquisa incluiu 1.004 crianças com idades entre dois e cinco anos e suas respectivas mães. Durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher é responsável por manter sua saúde e ainda garantir que o bebê tenha o desenvolvimento adequado. Por isso, ao longo dos nove meses, o pré-natal e outros cuidados especiais precisam ser seguidos à risca para evitar uma série de inconvenientes. Para passar longe dos perigos, veja as dicas da coordenadora do setor de Ultrassonografia Viviane Lopes, do Laboratório Femme.

domingo, 10 de junho de 2012

Protocolo DAN



Esse post é sobre o protocolo DAN, um protocolo bastante comentado no Congresso Biomédico em São Paulo.
Para entendermos o que esse protocolo sugere primeiramente temos que entender que o autismo, como vimos no post da palestra da Dra Geórgia, não é visto mais com uma síndrome que ataca apenas a comunicação, o interesse e a sociabilidade da pessoa mas ataca também seu sistema orgânico.
Sistema orgânico é um grupo de órgãos que juntos executam determinada tarefa como, por exemplo, o sistema digestivo (responsável pela transformação do alimento em nutrientes para o organismo, alguns de seus ógãos são o estômago, a boca e o intestino), respiratório , nervoso, dentre outros.
Para os pesquisadores chegarem a essa conclusão, a definição de autismo e sua origem e passaram por várias pessoas e teorias.
Em 1943, Leo Kanner descreveu o autismo como uma psicose infantil ao analisar um grupo de crianças gravemente lesadas com características comuns, na qual a que mais chamava a sua atenção era a falta da capacidade de se relacionar.
A partir daí muito de estudou sobre a origem desta síndrome e infelizmente, na década de 50, Bruno Bettelhein apresentou a ABSURDA teoria da mãe geladeira onde frieza da mãe causaria o isolamento da criança. Essa teoria gerou a separação dos pais e institucionalização precoce de muitas crianças.
Em 1969 Kanner absolve publicamente os pais de serem a causa do desenvolvimento da síndrome autística em seus filhos, propondo que o autismo seria um distúrbio inato do desenvolvimento.
A partir desses estudos, foram sendo desenvolvidas diversas técnicas utilizadas até hoje para ajudar os autistas a se desenvolverem.
IVAR LOVAAS : na década de 60 desenvolveu um programa de estimulação das crianças autistas:
Applied Behavioral Analysis (A.B.A.)
Em 1972 nos Estados Unidos é reconhecido o programa TEACCH – The Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children ( em português: Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados com a Comunicação) criado por Eric Schopler Professor de psicologia e diretor desse programa da Universidade da Carolina do Norte até 1994. Um dos pontos principais desse método é a colaboração entre equipe educadora e a família.
A partir de 1980 com a 3ª edicão do Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM III) é introduzido o capitulo dedicado a Distúrbio Generalizado do Desenvolvimento no qual o autismo passa a estar.
Porém, Bernard Rimland, médico, cientista, pai e estudioso, não se conformava com a visão limitada da sociedade médica que tratava o autismo como uma doença mental. Na década de 60 fundou o Autism Research Institute (Instituto de Pesquisas no Autismo) e a partir de 1980 junto com mais 2 médicos, Sidney Baker e John Pangborn, deu origem ao movimento DAN!
O que quer dizer DAN? Do inglês, Defeat Autism Now ou seja Derrote o Autismo Agora.
Então vamos entender melhor a visão do protocolo Dan. Para resumir a história, tem uma frase que gostamos muito que traduz tudo o que explicaremos detalhadamente logo mais: “ Autismo não está somente na cabeça” Na visão DAN, o comportamento dos autistas são desencadeados por falhas no processo metabólico de cada indivíduo envolvendo seu sistemas orgânicos imunológico, endócrino e intestinal.
recuperar jah!
Essas falhas estão relacionadas a exposição das pessoas propensas a ter autismo ao meio ambiente e suas exposições químicas como vimos nesse post. Estudos comprovam que o número de autistas aumentou e vem aumentando e isso nada tem a ver com a falta de diagnóstico no passado e sim a alta exposição do nosso corpo a malefícios gerados pelo impacto bioquímico gerados no meio ambiente através de toxinas, viroses, metais pesados, antibióticos, alterações imunes ou a combinação de todos eles.
epidemia genetica?
A conclusão de que o amiente influencia e muito na causa do autismo está cada vez mais clara e aceita mundialmente. Vejam exemplos dessas inflências nas figuras abaixo:
Cuide-se na gravidez
atente-se aos detalhes
Vacinar ou nao?
genotipo + fenotipo = autismo
Sabermos dessas pesquisas além de nos dar um norte para sabermos o que fazer, nos´mostra a luz no fim do túnel: AUTISMO É TRATÁVEL!
Bom, o que o protocolo DAN sugere?
Partindo desse princípio de que o transtorno é tratável, a primeira coisa que um médico especialista DAN (já existem alguns no Brasil) vai fazer é pedir a realização de exames específicos de sangue, urina, fezes e mineralograma.
Através desses exames, esses médicos especializados analisam as necessidades do paciente e começam um tratamento educacional intensivo e tentam superar esses problemas que variam de pessoa para pessoa.
Alguns exemplos desses problemas são excesso de metais no organismo; déficit de determinadas vitaminas, aminoácidos e sais minerais, hormônios; alergias e intoxicação alimentar, inflamações.
Vamos entender melhor então as causas apontadas pelo método DAN para uma pessoa ter autismo:
stress oxidativo: excesso de radicais livres no organismo. Em nosso organismo, ocorre a formação de radicais livres derivados do oxigênio em vários processos metabólicos, exercendo um papel importante no funcionamento do corpo humano. Eles são responsáveis pelo transporte de elétrons na cadeia respiratória e, em alguns tipos de células, têm a capacidade de eliminar bactérias invasoras. Os radicais livres passam a ter um efeito prejudicial ao nosso organismo quando ocorre um aumento excessivo na sua produção ou diminuição de agentes oxidantes. Os radicais livres agem sobre as células, alterando suas membranas e dando-lhes um aspecto de células velhas que, normalmente, seriam eliminadas pelo sistema imunológico do organismo. No entanto, quando a quantidade de células alteradas é aumentada pelo excesso de radicais livres e quando, devido ao envelhecimento cronológico do organismo, há diminuição do sistema imunológico, o organismo não consegue eliminar as células alteradas. Assim, algumas dessas células sobrevivem e começam a funcionar de maneira inadequada, alterando a fisiologia do tecido, do órgão e de todo o organismo. Como essas células podem ter seu código genético alterado, multiplicam-se desordenadamente, propiciando o aparecimneto de tumores, doenças pulmonares, cataratas entre outras.
Metilação inadequada: A metilação consiste na transferência de grupos metilo a algumas das bases citosinas (C) do DNA situadas previa e contiguamente a uma guanina (G). Visto que a metilação é fundamental na regulação do “silenciar” dos genes, pode provocar alterações na transcrição genética sem necessidade de que se produza uma alteração na sequência do DNA, sendo um dos mecanismos responsáveis pela plasticidade fenotípica ou seja, a capacidade do indivíduo em suportar as mudanças do meio em que vive. O ciclo metilação é essencial para um número de reações críticas no corpo. Uma conseqüência da debilidade genética (mutações) nessa trajetória é o aumento de fatores de risco que levam a um número de condições sérias de saúde. Defeitos na metilação tem fundamentos apropriados para mais ataques de agentes infecciosos e ambientais resultando numa enorme variação de condições incluindo o diabetes, doença cardiovascular, disfunção da tireóide, função imune incorreta, defeitos nos tubos neurais, síndrome de down, esclerose múltipla, doença de huntington, mal de parkinson, mal de Alzheimer, bem como o autismo, dentre outras doenças. Metilação também está diretamente relacionada aos níveis de neurotransmissores; metilação de intermediários no metabolismo triptofano pode afetar os níveis de serotonina e os intermediários da trajetória de metilação também são compartilhados com a trajetória envolvida na síntese verdadeira de serotonina e dopomina. Além do seu papel direto como neurotransmissor, a dopomina está envolvida em metilar phospholipids nas membranas da célula para aumentar a fluidez da membrana. A fluidez da membrana é importante para uma variedade de funções incluindo a sinalização adequada do sistema imune bem como a de proteger os nervos de danos. Nos nossos sistemas orgânicos a metilação é catalisada por enzimas; tais metilações podem estar envolvidas na modificação de metais pesados, regulação de expressão gênica (processo pelo qual a informação hereditária contida em um gene, tal como a seqüência de DNA), regulação de funções de proteínas (estrutural ou plástica, hormonal, defesa (anticorpos), energética, enzimática, condutoras de gases) e metabolismo de RNA (transmissão da informação genética)
Distúrbios de sulfatação: Para reduzir a possibilidade de uma substância desencadear uma resposta tóxica, o organismo apresenta mecanismos de defesa que buscam diminuir a quantidade da mesma, que chega de forma ativa ao tecido alvo assim como, diminuir o tempo de permanência desta em seu sítio de ação. Para isso, é necessário diminuir a difusibilidade do toxicante e aumentar a velocidade de sua excreção. A propriedade física que facilita a absorção de muitos xenobióticos ( compostos químicos estranhos a um organismo ou sistema biológico.) através da pele, pulmões e trato gastrintestinal – denominada lipofilicidade – constitui um obstáculo à sua eliminação, porque as substâncias lipofílicas podem ser reabsorvidas e tendem a se acumular no organismo. Os compostos hidrofílicos, por sua vez, apresentam absorção mais precária, porém, são facilmente excretados pelos rins. Conseqüentemente, a eliminação de um xenobiótico, freqüentemente, depende de sua conversão para compostos hidrossolúveis através de um processo conhecido como biotransformação, o qual é catalisado por enzimas presentes no fígado e em outros tecidos.
A sulfatação é um processo de biotransformação e serve para excretar os compostos estranhos sejam eles pela quantidade elevada de uma certa substância no organismo, ou provindas de agentes poluentes e infelizmente vindas de nossos alimentos e até mesmo da água que bebemos. Esses compostos são na maioria das vezes excretados na urina das pessoas típicas mas nos autistas a biotransformação (sulfatação é um desses processos de biotransformação) é feita de maneira deficiente ou inadequada e os excessos permancem em seus corpos intoxicando-os.
A partir desse contexto todo de que o autismo não está só na cabeça, o objetivo formal do movimento DAN é “se dedicar na exploração, validação e disseminação de intervenções biomédicas cientificamente documentadas para indivíduos dentro do espectro autístico, através da colaboração de médicos, cientistas e pais”.
O Tratamento biomédico
existe tratamento para autistas!
Nos EUA e agora no Brasil, muitos médicos tratam os autistas com protocolo DAN através do comportamento do processo metabólico de cada indivíduo. Como vimos, este método encontra as falhas, excessos, desequilíbrios que ocorrem no organismo, através de exames específicos de sangue, urina, fezes e mineralograma. O objetivo final é superar essas falhas e retirar o excesso de metais pesados no organismo como mercúrio e chumbo, que muitos acreditam ser a causa de autismo. Essa retirada é feita através da ingestão de substâncias usadas para tal e que se chama quelação. Além de verificar o excesso de metais no organismo, esses exames também podem mostrar outros problemas como déficit em vitaminas, aminoácidos e sais minerais, hormônios, alergias e intoxicação alimentar, inflamações, dentre outros.
Abaixo citaremos alguns pontos a serem analisados que podem estar afetando uma pessoa autista. A lista das mais comuns segue:
- Muitos problemas comuns relacionados com intestino
- Inflamação (inflamação cerebral de acordo com a Dra. Yasko, muito parecida com a encontrada no mal de Alzheimer e Parkinson por ex.)
- Refluxo
- Inapropriada Absorção dos Alimentos
- Disbioses do Intestino (Bactéria, fungos e cândida )
- Defeito na Sulfação
- Problemas Nutricionais
- Opióides – glúten/caseína – Leia sobre a dieta aqui
- Gastrites
- Intestino Permeável
O que pode está errado no corpo dos autistas para que isso ocorra:
- Desordens no cérebro e no intestino
- Convulsões
- Purine disorders
- Metilação com defeito ou desabilitada
- Intoxicação por Metais Pesados e problemas na desintoxicação
- Persistente presença do vírus do Sarampo
- Anticorpos Cerebrais
- Elevado Nível de Amônia
- Serotonina com Problemas
- Melatonina com Problemas (causa distúrbio no sono)
- Deficiência de Omega 3
- Testosterona Desregulada
- Dopamina com problemas
- Cromossomos com problemas (é o mais raro)
- E de acordo com a Dra. Yasko, desbalanceamento entre o glutamato e o gaba
Crianças que têm tudo isso ou multiplos problemas:
• Inflamação no intestino e/ou cérebro
• Metilação com problema
• Estress Oxidativo
• Problemas com desintoxicação.
• Anormalidades no Cérebro
• E outros (ainda não descobertos)
Autistas felizesCada pessoa tem uma combinação desses problemas de forma diferente. As características não são as mesmas em todos os autistas e alguns podem apresentar poucos e outros muitos ao mesmo tempo.
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Cada ser é único e no autismo isso não é diferente. Por isso o protocolo Dan é tão recomendado. Nele, são feitos exames específicos em cada indivíduo e é trabalhada uma maneira de resolver os problemas de forma individual seja com dietas, suplementos, quelação, dentre outras.
Há muitas pesquisas e descobertas feitas diariamente sobre o autismo e o tratamento biomédico e por isso Congressos como o que fomos são tão importantes. Além de percebermos que ninguém está sozinho nesse mundo, fazemos uma rede de contatos muito especial de pessoas que estão dispostas a realmente ajudar e mostrar que o autismo parece um bicho de sete cabeças no início, quando não sabemos nada sobre espectro mas que depois ele se torna muito claro e principalmente o que não cansamos de repetir: o autismo é tratável sim.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Projeto Autismo Brasil

Projeto pode colocar o Brasil na vanguarda da luta contra o autismo

Detalhes
Paulo Marcio Vaz , Jornal do Brasil BRASÍLIA - Um projeto de lei prestes a tramitar no Senado poderá colocar o Brasil na vanguarda da luta contra o autismo. O texto, elaborado por diversas entidades ligadas à causa, prevê a criação do Sistema Nacional Integrado de Atendimento à Pessoa Autista. Se aprovada, a legislação será uma das primeiras no mundo a priorizar o autismo como caso de saúde pública em nível nacional, incluindo a capacitação de profissionais de saúde, a criação de centros de atendimento especializado e a inclusão do autista no hall das pessoas portadoras de deficiência, além de criar um cadastro nacional. No Brasil não há dados oficiais sobre a quantidade de portadores da síndrome, considerada epidêmica nos EUA. Um acordo feito no âmbito da Comissão de Direitos Humanos do Senado garante a relatoria ao senador Paulo Paim (PT-RS), que, de antemão, já garantiu parecer favorável à aprovação do texto.
– A abordagem será suprapartidária e espero que o projeto tramite já este mês – diz Paim.
Drama
O drama pelo qual passam os pais de autistas, na maioria das vezes sem diagnóstico precoce e tratamento adequado para seus filhos, não é uma exclusividade brasileira. Recentes descobertas de um grupo de médicos e bioquímicos americanos, todos eles pais de autistas, têm causado polêmica e espantado uma parte da comunidade científica mais tradicional, a partir de evidências de que, ao contrário do que se pensava, o autismo não seria um mero transtorno mental, mas resultado de uma grave intoxicação, seja pela ingestão de alimentos contaminados com agrotóxicos, ou mesmo por substâncias químicas, incluindo metais pesados, que podem entrar no organismo das crianças por meio de diversos fatores, incluindo pelo uso de determinados medicamentos.
A nova abordagem a respeito do autismo assombra a indústria farmacêutica e divide a opinião de profissionais de saúde.
Semana passada, numa conferência em Brasília, médicos e cientistas brasileiros e americanos foram praticamente unânimes ao reforçar a nova tese. Segundo eles, os autistas têm muita dificuldade de eliminar toxinas do organismo, e a situação seria agravada por uma disfunção gastrointestinal que facilita a absorção de toxinas pelo intestino, fazendo com que as mesmas entrem na corrente sanguínea e cheguem ao cérebro, o que justificaria o comportamento autístico.
Boa notícia
A boa notícia é que a nova abordagem diagnóstica levou a novos tipos de tratamentos, de caráter multidisciplinar, e que vêm obtendo resultados bastante animadores. A terapia é baseada em dietas alimentares específicas, prática de terapias comportamentais, suplementação vitamínica e fortalecimento da flora intestinal. Como resultado, muitas crianças que antes sequer olhavam nos olhos dos pais, ou mesmo pareciam ser surdas devido à total falta de interação com o mundo, hoje conseguem falar, olhar nos olhos e demonstrar afeto. A adoção de tratamentos baseados neste novo tipo de abordagem está prevista no projeto de lei que chegará ao Senado.
Lado sombrio
O médico brasileiro Eduardo Almeida, doutor em saúde coletiva pela Uerj e um dos que se empenham nas novas pesquisas sobre a síndrome, considera o autismo “o lado sombrio da medicina acadêmica” e defendeu, durante sua palestra em Brasília, mudanças radicais na forma como a medicina tradicional aborda a questão.
– Estamos numa espécie de encruzilhada da medicina alopática – analisou Almeida.
O professor emérito de química e bioquímica da Universidade de Kentucky (EUA) Boyd Haley também defende a tese segundo a qual o autismo tem muito a ver com uma intoxicação por substâncias como os metais pesados, principalmente o mercúrio. Durante a conferência, ele apresentou estudos feitos nos EUA que reforçam a tese.
Abordagem holística traz melhora a crianças
Em geral, médicos e outros profissionais de saúde que aderem às novas teses sobre diagnóstico e tratamento de autismo são pais de crianças que sofrem da síndrome. Ao não encontrarem solução na medicina tradicional, eles iniciam pesquisas por conta própria, e formam grupos cada vez mais coesos que defendem abordagens holísticas, incorporando ao tratamento aspectos da biomedicina e medicina ortomolecular, além de terapias comportamentais, dietas restritivas e a administração de suplementos.
A dentista Josélia Louback, 38 anos, mãe de um menino autista de 6, comemora as conquistas do filho. Segundo ela, Arthur só começou a melhorar depois do novo tratamento.
– Ele teve ganhos de concentração e melhorou muito seu comportamento – garante.
Nos exames de seu filho foram encontradas grandes quantidades de metais pesados como cádmio, alumínio e bismuto. Aflita também com a possibilidade de contaminação da criança por mercúrio (por não ser excretado, o metal não é detectado nos exames), Josélia teme que os anos em que passou manipulando a substância em seu consultório, confeccionando amálgama dentário, tenham contribuído para a contaminação de seu filho.
A bióloga Eloah Antunes, presidente da Associação em Defesa do Autista (www.adefa.com.br ), também vê melhoras significativas em seu filho, Luan, de 8 anos. Eloah foi uma das pioneiras na adoção dos novos tratamentos relacionados ao autismo. O diagnóstico da síndrome foi dado por ela mesma – posteriormente confirmado por um pediatra – depois que vários médicos descartaram a possibilidade.
– Infelizmente, a medicina acadêmica ainda sabe pouco a respeito do autismo. – reclama Eloah. – Aprendi muito sobre a síndrome pela internet, mantendo contato com profissionais nos EUA, pais de autistas que também se rebelaram contra os médicos tradicionais de lá. (P.M.V.)
“A dieta correta significa 60% da recuperação”
A analista de sistemas equatoriana Andrea Lalama jamais havia pensado em ser homeopata. Radicada nos Estados Unidos, ela se casou e teve dois filhos, ambos autistas. A falta de médicos capazes de tratar adequadamente seu primeiro filho a fez se inscrever num curso de homeopatia e pesquisar, praticamente por conta própria, uma forma eficaz de tratamento. Hoje, aos 8 anos, seu filho mais velho apresenta traços mínimos do espectro autista, e a mais nova é considerada uma criança normal. Andrea agora vive rodeada por pais de autistas, muitos deles médicos, que buscam sua consultoria. A homeopata é uma das vozes mais ativas dos Estados Unidos em prol da adoção e do reconhecimento dos novos diagnósticos e tratamentos para o autismo que, segundo ela, a medicina tradicional se recusa a reconhecer.
Como estão seus filhos?
Estão muito bem. Meu segundo filho não tem mais traços de autismo. Meu primeiro tem alguns traços, mas são mínimos. Ele vai à escola regular e leva uma vida praticamente normal. Tentando ajudar meu primeiro filho, tive que estudar muito e me tornei homeopata. Até hoje, costumo ir a muitos seminários sobre medicina ortomolecular e energética, medicina tradicional chinesa, enfim, qualquer tipo de medicina integrativa e alternativa. Com isso, acabei absorvendo o que era útil. Cada terapia tem um pouco a oferecer, e se você combina tudo isso, faz o que eu chamo de abordagem holística. Foi isso que ajudou meus filhos.
Qual o papel da alimentação na recuperação?
Uma dieta correta representa 60% da recuperação do autista. Mas há regras nutricionais muito específicas, pois é preciso reparar as disfunções gastrointestinais presentes nas crianças.
Quais os pontos mais importantes da dieta?
A alimentação orgânica é imprescindível, e a preparação dos alimentos também tem de ser especial. Se não houver uma preparação adequada, toxinas entrarão no organismo e causarão mais sintomas de autismo. O intestino do autista é bastante poroso e transfere essas toxinas para a corrente sanguínea, fazendo-as chegar ao cérebro. Para prevenir isso, até que você consiga fortalecer as paredes intestinais, é preciso reduzir a toxidade. Outro fator importante é que as crianças autistas não digerem bem os alimentos, pois têm carência de enzimas. Então, a comida deve ser pré-digerida.
Então, há um componente de alergia alimentar relacionado ao autismo?
O autista tem um intestino poroso. Portanto, praticamente tudo o que eles ingerem vai para o sangue. Numa criança normal, isso não acontece. Alguns protocolos recomendam remover a comida das crianças e a substituir por cápsulas contendo enzimas, probióticos, vitaminas e coisas do gênero. Não digo que está errado, mas eu não apoio esse procedimento, porque Deus não criou cápsulas, mas comida limpa e orgânica para ser bem preparada. Se seguirmos as regras, podemos reparar as disfunções gastrointestinais. Por causa da comida industrializada e de elementos químicos presentes em diversas substâncias artificiais, os autistas estão 100% intoxicados.
Há algum tipo de retardo mental no autista?
Não há retardo mental, há intoxicação. Os autistas têm uma enorme deficiência para se livrar dessas intoxicações, se intoxicam mais rápido do que se desintoxicam.
Os médicos tradicionais concordam com essa tese?
Um médico que jamais esteve numa conferência sobre autismo dirá que somos loucos. Eles só dizem que o autismo é causado por uma disfunção cerebral. Mas já provamos a verdade.
Então, há uma briga entre os defensores de sua tese e os médicos tradicionais?
Não há briga. Há negação. As fundações e comunidades ligadas ao autismo nos EUA já convidaram a American Medical Association (Associação Médica Americana) para sentar à mesa conosco e ver as evidências. Eles se recusaram. É uma verdade inconveniente dizer que as toxinas que desencadeiam o autismo nas crianças vêm da comida e de vacinas, por exemplo, porque alimentos e drogas são duas instituições que geram muito dinheiro. Como o governo vai apoiar a ideia de frear essa indústria?
Quando há muita discordância entre profissionais de saúde, não há o risco de surgirem oportunistas com supostas soluções milagrosas?
Os pais têm que ser céticos em relação a tudo o que lhes dizem. Mas é obrigação deles sentar em casa e pesquisar. Hoje, ir à internet é mais fácil do que ir à livraria, e você encontra provas de que as crianças estão intoxicadas. Temos provas científicas das disfunções gastrointestinais nos autistas. Se seu filho se comporta como autista e um médico diz que ele está bem, desafie-o a provar. Faça testes de laboratório, examine a microflora intestinal e veja se está tudo bem. Exames de sangue mostram que ele está doente. Exames do fio de cabelo podem comprovar a intoxicação. Quem diz que a análise do fio de cabelo não é segura está mentindo. Seria como dizer que não existe genética.
Mas por que os médicos tradicionais não aceitam essas evidências?
Nos EUA, muitos médicos tradicionais são orgulhosos e egoístas. Quando são desafiados e confrontados com questões que não sabem responder, eles atacam. Quem realmente acha que é bom médico não deve temer. Os médicos da comunidade autista estão dispostos a conversar, os médicos tradicionais não. Eles não querem saber, não retornam nossas ligações, não aceitam as novas evidências e não têm filhos autistas.
Universidades brasileiras começam a fazer pesquisas
Duas universidades brasileiras realizam pesquisas focadas, respectivamente, nos indícios de alergia alimentar e na intoxicação por metais, que, segundo especialistas americanos, teriam conexão com a incidência de autismo.
Em Niterói, a Universidade Federal Fluminense (UFF) vai verificar se realmente há ligação entre a síndrome e a intoxicação por metais pesados. Já a Universidade de Brasília (UnB) aproveita um estudo sobre doença celíaca para observar se há prevalência da intolerância ao glúten entre autistas.
A pesquisa feita em Niterói faz parte da tese de mestrado da biomédica Mariel Mendes, que conta com uma equipe multidisciplinar formada por nutricionista, psicóloga e farmacêutico. A universidade disponibilizará exames completos e atendimento gratuito a crianças, que estão sendo cadastradas.
– A pesquisa visa comprovar não só a ligação entre autismo e a intoxicação por metais pesados, mas também a eficácia dos novos tratamentos propostos – afirma a psicóloga Sandra Cerqueira, que faz parte da equipe sob orientação do doutor em farmacologia e toxicologia da UFF Luiz Querino.
Em Brasília, o pediatra e professor titular da UnB Ícaro Batista quer, em sua tese de doutorado, comprovar a prevalência da doença celíaca (intolerância ao glúten) em crianças autistas. Segundo ele, na literatura médica já há menção a um maior número de ocorrência da doença em autistas, mas faltariam pesquisas mais aprofundadas comprovando esta associação.